18 de jan de 2015

CLÁSSICOS BRASIL 2015

O final de semana de 23 a 25 de janeiro de 2015 servirá para reunir em Santo Amaro, São Paulo, a nata dos grandes clássicos nacionais de todas as décadas do passado!!!
Com apoio da FBVA - Federação Brasileira de Veículos Antigos  e de diversos Clubes de antigo-mobilismo, ocorre a edição 2015 do evento Clássicos Brasil!!!
Carros nacionais dos anos 50 para cá, estarão representados neste evento, a ocorrer no Clube Hípico de Santo Amaro. Um texto de Gabriel Marazzi falando da industria nacional,encontra-se publicado na página do evento, e vale a pena leitura...

Ainda nos anos 50, as pessoas no Brasil transportavam-se em automóveis importados. Europeus ou norte-americanos, havia por aqui praticamente todas as marcas de automóveis, cujos modelos eram importados por pequenas empresas, também em pequenos volumes. Como isso significava um desequilíbrio na balança comercial, o então presidente Juscelino Kubitchek criou em 1956 o GEIA – Grupo Executivo da Indústria Automobilística, nomeando como chefe o ministro de Viação e Obras Públicas, Lúcio Meira. Já no final desse ano e no ano seguinte foram surgindo os primeiros automóveis nacionais, no início com muitos componentes ainda importadosmas que, pouco a pouco, foram aumentando o índice de nacionalização.

O primeiro veículo de passeio a ser produzido foi a Romi-Isetta, mas que não foi considerado realmente um automóvel por não ter duas portas (tinha apenas uma porta na parte frontal). Ficou registrado, então, a perua DKW Vemag, depois batizada de Vemaguet, como o primeiro automóvel brasileiro.

Em 1957 surgiram a Kombi, da Volkswagen, a picape Ford F-100, ainda com carroceria americana, e o Jeep Willys, produzido pela Willys Overland do Brasil.

Em 1958 chegaram a Rural Willys e a picapeChevrolet Brasil, a primeira uma perua utilitária derivada do Jeep e a outra uma versão reduzida dos caminhões da Chevrolet.

O ano seguinte, 1959, foi marcado pelo automóvel que viria a ser o ícone da indústria nacional, o Volkswagen Sedan 1200. No mesmo ano a marca francesa Simca – assim mesmo, com "M", pois o nome é a sigla de Sociedade Industrial de Motores, Caminhões e Automóveis –, lançou no Brasil uma versão do seu Vedette francês, o Simca Chambord, que por sua vez era baseado em um Ford americano. Ainda em 1959, surgiu o DKW sedã, depois chamado de Belcar, uma reestilização da perua DKW e o Renault Dauphine, um pequeno modelo francês com motor de 850 cm3 e câmbio de três marchas curiosamente produzido aqui pela Willys, uma marca norte-americana.

O carro de passeio da Willys veio em 1960, uma cópia do Aero Ace, modelo de pouco sucesso nos Estados Unidos, aqui chamado de Aero Willys. Da mesma forma que a Rural, o Aero tinha os mesmos componentes mecânicos do Jeep e foi chamado por aqui de "jipe de terno". Ainda em 1960, surgiu o mais desejado automóvel nacional de sua época, o FNM 2.000, depois chamado de JK (uma homenagem ao presidente Juscelino Kubitchek). Cópia de um Alfa Romeo italiano recente, o carro tinha modernidades como dois comandos de válvulas no cabeçote e câmbio de cinco marchas. A Fábrica Nacional de Motores – FNM, também conhecida por Fenemê –, era de propriedade do Governo Federal. Nessa ano surgiu também a perua Chevrolet Amazona, derivada da picape Chevrolet Brasil.

Em 1962 surgiram o Renault Gordini, um Dauphine melhorado, com câmbio de quatro marchas, uma versão esportiva com essa mecânica, o Willys Interlagos, que por sua vez era uma cópia do Reualt Alpine francês, e o esportivo da Volkswagen, o Karmann-Ghia, que de esportivo só tinha a aparência (desenho original do estúdio Ghia com carroceria criada pela Karmann alemã.

O ano de 1963 foi importante pelo maior interesse que os motoristas brasileiros começaram a ter pelos modelos nacionais. O Aero Willys foi totalmente renovado, com desenho da carroceria brasileiro. A Vemaglançou o belo DWK Fissore e, na linha Simca, foi lançada a perua Jangada. No ano seguinte, o Simca teve melhorias estéticas e a cilindrada do motor aumentada, ganhando o nome de Tufão. Em 1966, o motor do Simca passou a ter comando de válvulas nos cabeçotes e o nome de Emi-Sul e o AeroWillis ganhou uma versão de luxo, o Itamarati. Da Chevrolet, veio a perua Veraneio, inicialmente chamada apenas de C-1416.

Em 1967, o Willys Itamarati ganhou motor maior e a linha Simca foi reestilizada, passando a ter dois modelos, o Esplanada e o Regente. Nesse ano, a Chrysler incorporou a Simca e passou a produzir os dois modelos. Da mesma forma, a Volkswagen incorporou a Vemag e parou a produção dos DKW e a Ford incorporou a Willys, porém manteve a produção de todos os modelos da marca, ao mesmo tempo em que lançava o luxuoso Ford Galaxie, que mudou os padrões de acabamento dos carros nacionais. Na linha VW, o Sedan passou a ter motor de 1300 cm3 e a Kombbi e o Karmann-Ghiapassou a ter motor de 1500 cm3.

Aproveitando o novíssimo projeto "M" da Renault, que viria a substituir o Gordini por meio da Willys, a Ford lançou o Corcel, em 1968. Nesse mesmo ano a Chevrolet lançou o Opala e a Volkswagen o VW 1600, também conhecido por "fusca de 4 portas" ou "zé do caixão". Todos eles foram apresentados no Salão do Automóvel de 1968, já como modelos para 1969.

Em 1969 foi a vez dos VW Variant, TL e Karmann-Ghia TC, e do Dodge Dart. Em 1971, o JK, que havia perdido esse nome, passou a chamar FNM 2150, com motor de cilindrada aumentada, e o Opala passou de 3800 cm3 para 4100 cm3.

Em 1973, vieram vários novos modelos: o Ford Maverick, o Chevrolet Chevette, o Volkswagen Brasília e o Volkswagen Passat, o primeiro da marca a ter motor refrigerado a água, o Dodge 1800 e o Alfa Romeo 2300.

A partir daí, a indústria nacional começou a crescer e evoluir. A Fiat chegou em 1976 e lançou o 147 no ano seguinte. A história do Geia e de seus frutos é interessante até esse momento, quando os automóveis marcaram a sua época de evolução e, em alguns casos, se tornaram clássicos nacionais.

Texto: Gabriel Marazzi

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